6 maneiras de empoderar mulheres na pandemia

Uma vez, um professor da faculdade me disse o seguinte:

Em uma situação em que homens sofrem, as mulheres sofrem mais.

Nas guerras passadas, por exemplo, é verdade que as mulheres não eram a maioria no front. No entanto, elas eram vistas como prêmios pelos exércitos inimigos. O pior que poderia acontecer a um homem na guerra era a morte. Já as mulheres eram estupradas e, daí, mortas. Algumas chegavam até mesmo a carregar filhos que não queriam e viviam vidas repletas de horror e violência.

Na pandemia do coronavírus, a premissa permanece: homens estão sofrendo, é claro. Porém, mulheres estão sofrendo mais.

Mulheres estão na linha de frente do combate ao coronavírus

De acordo com o relatório “Mulheres no centro da luta contra a crise COVID-19”, divulgado em março pela ONU Mulheres, as mulheres correspondem a 70% dos trabalhadores da área da saúde.

Aqui no Brasil, 85% dos profissionais de enfermagem são mulheres. A mesma porcentagem corresponde a profissionais mulheres que cuidam de idosos, maior grupo de risco da doença.

Os efeitos vão além: mulheres também representam a maioria dos empregos informais que estão sendo afetados pela pandemia. Como se não bastasse, elas também estão mais suscetíveis à violência doméstica.

Apenas em São Paulo, o número de feminicídios em casa dobrou durante o período da quarentena. Casos também aumentaram na China, na França, no Reino Unido, no Canadá e em outros países ao redor do mundo.

Por outro lado, mulheres representam menos de 10% dos chefes de Estado ou de governo. Isso faz com que decisões regionais e globais sejam tomadas sem que sua realidade seja levada em consideração.

Nesse cenário, a ONU conclui que as mulheres estão mais expostas a riscos de contaminação, ao desemprego, à violência e ao aumento da pobreza.

Por isso, reuni aqui neste artigo algumas ações que você pode tomar para ajudar as mulheres nesse momento tão delicado.

Topa ler e colocar essas ações em prática?

1 – Apoie pequenos negócios chefiados por mulheres

Vai pedir comida? Comprar presente para um amigo ou comprar um novo par de meia? Tente priorizar comprar de pequenos negócios locais que sejam chefiados por mulheres.

Empoderar uma mulher economicamente é uma das maneiras mais eficazes de garantir que ela terá mais segurança e conseguirá manter a si mesma e à família nestes tempos pandêmicos.

É claro que também há mulheres trabalhando em estabelecimentos que não são chefiados por outras mulheres. Por isso, é válido intercalar: eu mesma tento alternar entre comprar da pastelaria da rua onde moro, que é administrada por uma família inteira, e de restaurantes no iFood que são chefiados por mulheres.

2 – Pergunte como as mulheres ao seu redor estão

Simples, mas necessário.

O momento é de incerteza. Ainda não sabemos quanto tempo a pandemia irá durar. Muitas de nós ainda estão tentando lidar com a nova rotina e isso é desgastante

Imagine só a rotina da mulher que de repente se vê obrigada a cuidar da casa, da rotina escolar dos filhos e do trabalho no mesmo ambiente. Imagine como é ter que ajudar os filhos com o dever de casa, com aquelas fórmulas matemáticas que nunca mais usamos. Ou como é tentar fazer com que não atrapalhem reuniões.

E aquelas mulheres que ainda estão trabalhando fora e voltam para casa com medo de infectar a própria família? Aquelas que não se permitem abraçar mais as pessoas que amam? E aquelas que cuidam de seus pais e avós?

Será que essas mulheres estão boas?

Será que precisam desabafar? Será que você pode ajudá-las só de ouvi-las? Será que você tem alguma solução para algum problema que elas estejam vivenciando?

Todo mundo merece apoio emocional de qualidade nesses tempos. Por isso, se mostre disponível para conversar e ajudar as mulheres que te rodeiam.

3 – Divulgue as profissionais que você conhece

Ainda de acordo com os relatórios da ONU, mulheres também estão mais suscetíveis ao desemprego.

Nesse caso, por que não divulgar os perfis das profissionais incríveis que você conhece ou indicá-las para vagas que estejam abertas? Exaltar o portfólio dessas mulheres é uma boa também, assim como apresentá-las a bons contatos com quem possam fazer networking.

Uma indicação certeira pode fazer toda a diferença para quem tá precisando.

4 – Consuma entretenimento feminino 

Essa aqui é bem semelhante ao item 1. Que tal estender seu consumo de entretenimento para o universo feminino?

A arte e o entretenimento têm sido cruciais para que possamos ter um pouco de sanidade e expressar nossos sentimentos em meio à pandemia.

Esta é uma ótima oportunidade de você entrar em contato com arte feita por mulheres. Ouve o álbum de uma mulher no Spotify, assista a um filme dirigido por uma mulher, siga fotógrafas no Instagram, compre livros escritos por mulheres na Amazon…

Esse consumo mais “nichado” encoraja a arte feminina e pode abrir seus olhos para o ponto de vista de mulheres diversas. Ele também empodera economicamente as mulheres que estão expondo seu trabalho.

5 – Denuncie a violência contra a mulher

Se você conhece alguma mulher que esteja sendo violentada ou ameaçada, este é um bom momento para ajudá-la.

Converse com essa mulher sobre o que está acontecendo, sem julgamentos. É essencial não colocar a culpa da agressão na vítima e apresentar a ela alternativas de denúncia, como as redes de proteção à mulher da sua cidade.

Se está claro que alguma violência física ou um feminicídio podem ocorrer, busque ajuda. Denuncie, mesmo que de forma anônima.

É possível buscar apoio, informação e acolhimento em canais como o Mete a Colher e o PenhaS. Os canais tradicionais, como o Ligue 180 também estão disponíveis para atender mulheres que estejam vivendo situações de assédio e violência.

6 – Estude sobre feminismo

Este item, assim como os outros, não deveria ser seguido apenas em momentos de pandemia e isolamento social. No entanto, se você ainda não teve a oportunidade de ler sobre o movimento feminista e entender suas causas, dou todo o apoio para que você comece!

E Nossa organização social está cheia de falhas e lacunas expostas pela pandemia, principalmente quando olhamos para os dados da ONU que usei lá na abertura do artigo, e notamos que vivemos entre privilégios e injustiças.

Um bom exercício é tentar entender quem são as mulheres na linha de frente que estão combatendo a pandemia.

Quem são as enfermeiras, obstetras, entregadoras de comida por aplicativo, delegadas, repórteres e cozinheiras que não deixam nosso país parar?

O que querem?

O que precisam para viver uma vida mais digna?

E, por fim: qual é o seu papel nisso? O que você pode fazer para ajudá-las de maneira mais efetiva?

Vamos começar – ou continuar – a pensar nisso?

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