Mulher, leia isto aqui toda vez que se sentir incapaz

Me sento para escrever. São 16h46 de um sábado. Talvez, se o COVID-19 não estivesse à solta por aí, eu estaria me preparando para encontrar meus amigos e beber uma cerveja gelada. Ao invés disso, estou encarando o computador e ouvindo Ariana Grande.

Faz pouco mais de um mês que assumi o compromisso de ajudar mulheres a serem independentes e viverem suas melhores histórias ao redor do mundo. 

Meus planos, lá atrás, envolviam uma viagem solo para a Coreia do Sul e muitas conversas sobre nomadismo digital voltado para mulheres. Ao invés da viagem – e da minha estreia como nômade -, a quarentena me presenteou com tempo.

Não estou reclamando. Perdi muitas coisas, mas não fui a única. Além disso, meu lugar de fala é privilegiado. Trabalho de casa e consegui usar o tempo que ganhei para mentalizar outras alternativas.

Sigo firme com o propósito de encorajar mulheres. Acredito no poder da nossa comunidade e vejo que precisamos nos ajudar da maneira como pudermos. 

Por isso, busquei entender o que as mulheres que me leem no LinkedIn gostariam que eu abordasse nos meus artigos.

Dentre as respostas que recebi, uma em especial me chamou a atenção e foi a da Joyce Sousa:

De cara, me identifiquei com a Joyce. Sou do tipo de pessoa que, mesmo estudada, não se sente pronta até que tenha posto a mão na massa. O que é perfeitamente normal, no meu caso e em muitos outros, pois gosto de unir teoria à técnica.

O problema é que às vezes, mesmo com teoria e técnica na mão, nós, mulheres, não nos sentimos prontas para nada. E isso é decisivo, já que a insegurança pode nos impedir de realizar coisas importantes no âmbito pessoal e profissional. 

O que dizem as estatísticas?

Recentemente, o LinkedIn liberou o Gender Insights Report, relatório que traz algumas noções sobre equidade de gênero no mercado de trabalho. 

Segundo o relatório:

  • Mulheres se candidatam a vagas de emprego 20% menos do que homens;
  • A probabilidade de homens pedirem por referências a antigos colegas de trabalho e chefes é de 68%. Esse número cai para 32% quando falamos de mulheres;
  • Mulheres são 16% menos propensas a disputar uma vaga.

Há vários motivos sociais, culturais, econômicos e psicológicos que explicam esses números. Um deles é que as mulheres tendem a pensar que todas as suas conquistas e sucesso se devem a algo que não elas mesmas.

Por exemplo, mulheres acreditam que foram promovidas porque tiveram sorte. Ou que comandam uma área por força do acaso ou da ajuda de terceiros. Resumindo, ignoram o próprio mérito diante de desafios que parecem grandes demais para elas.

E se engana quem acredita que essa descrença é um problema individual. A ideia de que mulheres são menos capacitadas em comparação aos homens se encontra na raiz da nossa sociedade.

Enquanto homens são estimulados a ser agressivos e a arriscar, se espera que mulheres sejam dóceis e mansas.

Pois é, mulher. Tem gente que quer que você fique na sua. 

Porém, tem gente que, como eu, quer te ver confiante para viver uma vida digna e tirar seus projetos do papel.

Por isso, logo abaixo você vai encontrar 4 insights para te ajudar a se sentir mais capacitada no mercado de trabalho.

Vamos lá? 

1. Comece tirando a perfeição do seu caminho

De acordo com a diretora de soluções de talento do LinkedIn Brasil, Ana Claudia Plihal, nós, mulheres, nos sentimos menos capacitadas no mercado de trabalho porque queremos estar 100% prontas para as situações.

Não importa se você vai se candidatar a uma vaga, empreender ou ser a cabeça de um novo projeto na sua empresa. Se não cumprir com todos os requisitos, provavelmente não vai se sentir pronta para aceitar o desafio. 

Enquanto isso, mesmo diante de uma situação em que não sabem perfeitamente (guarde essa palavra, ela é importante) o que fazer, os homens se sentem confiantes e seguros.

Porém, se formos refletir, vamos chegar à conclusão de que nós nunca, em nenhuma ocasião, estaremos 100% preparadas para um desafio. Sabe por quê?

Porque a vida é imprevisível. Porque não temos controle sobre ela. Porque, mesmo com um planejamento lindo na manga, nada garante que você vai viver a vida exatamente como o esperado. Olha o COVID-19 aí, servindo de exemplo. 

Mulheres ou homens, somos seres humanos. Vamos acertar em algumas coisas e errar em outras. Não tem escapatória. Por isso, meu primeiro conselho para que nos sintamos realmente capacitadas no mercado de trabalho é o seguinte:

Seja menos perfeccionista. 

Ao invés de buscar o padrão cansativo da perfeição, sugiro que você siga o modelo de tentativa e erro.

Erre uma vez e saiba o que fazer para não errar do mesmo jeito na próxima. Erre de um jeito novo e ganhe conhecimento. Erre e erre até acertar.

Vai por mim, é bem mais fácil errar, corrigir e acertar do que ficar esperando o momento e o resultado perfeitos.

2. Aceite que sua experiência é válida

Tão fácil falar. Tão difícil executar.

Sofro com essa às vezes. Dentro da minha cabeça tem uma voz impostora que me diz que não vivi coisas o suficiente para compartilhar e que tenho muito a aprender antes de valorizar minha experiência. 

Dei até um nome para essa voz. Eugênia.

Toda vez que a Eugênia começa a falar, eu (nada gentilmente) peço pra ela ficar de boca fechada. Nem sempre é fácil. Sei disso. 

Ainda assim, os primeiros passos para silenciar a voz da impostora aí dentro da sua cabeça são aceitar que você é capaz e respeitar seu trabalho intelectual.

Isso não significa que você vai se conformar. Não significa parar de aprender. Não significa, tampouco, parar de buscar feedback e entender o que precisa ser melhorado no seu modo de trabalhar. Tudo isso é importante e vai te ajudar a se sentir mais segura na sua capacitação.

Aceitar que você é capaz significa que está partindo do princípio de que é boa o suficiente para fazer o que quer. E, se ainda não é, é boa o suficiente para aprender a ser.

A Eugênia já me disse várias vezes que eu não deveria expor o que escrevo. Que já havia gente o suficiente fazendo isso e que eu seria apenas mais uma.

O que ela ignorava era que minha experiência é válida e única.

Pense em tudo o que você estudou. Em todos os perrengues que passou para se tornar a profissional que é. Se lembre de todos os erros que cometeu e em como seu conhecimento pode agregar e ajudar pessoas. Aceite essa experiência como parte de você. Dê valor a ela.

(E cala a boca da impostora que fica aí dentro da sua cabeça dizendo que você não merece reconhecimento pelo o que faz.)

3. Enxergue o medo como parte do processo

Esses dias, perguntei lá no Instagram o que as mulheres que me seguem fariam se não tivessem medo

Dá uma olhada em algumas das respostas que recebi:

  • Daria palestras.
  • Mudaria de área.
  • Escreveria.
  • Largaria a faculdade e iria morar sozinha em outro país pra me conhecer melhor.
  • Abriria uma empresa.

Conheço o trabalho da maioria das mulheres que me responderam e sei que todas elas, sem exceção, são capazes de fazer o que querem. 

Sei que a mulher que quer palestrar abriria os olhos de muitas empresas para equidade de gênero no mundo da tecnologia.

Sei que a mulher que quer mudar de área tem paixão, inteligência e cacife suficientes para se dar bem em um novo caminho.

Sei que a mulher que quer abrir um negócio tem muito, MUITO a agregar com slow fashion e métodos mais humanos de trabalho.

Mas, ainda assim, todas essas mulheres têm medo.

O medo tem um potencial incrível de nos proteger e de nos paralisar. Senti medo quando deixei a CLT para trás e decidi trabalhar de forma autônoma. Esse medo ainda me acompanha. Ainda me paralisa. 

A solução que encontrei foi aceitar o medo. Ao invés de sufocá-lo e repreendê-lo, tento entender o que ele quer dizer. Se ele está me impedindo de fazer algo importante, não deixo de senti-lo. No entanto, fiquei mais rápida em diminuir o tempo de paralisia e arriscar.

Agendo logo aquela reunião. Mando logo aquele e-mail. Não hesito (tanto) em colocar o valor que acho justo nos meus trabalhos. E por aí vai…

Tentativa e erro, lembra? Ninguém vai acertar tudo de primeira. Não importa se você quer palestrar, mudar de área ou abrir um negócio. 

Você vai sentir medo e errar de qualquer maneira. Então, se o medo é inevitável, por que não aceitá-lo como parte do processo e aprender a viver com ele?

4. Busque apoio

Ficou claro para mim que o sentimento de capacitação no mercado de trabalho depende de uma série de variáveis que vão além do desenvolvimento pessoal.

Também é responsabilidade das empresas pensar em como capacitar suas funcionárias. Incluir mulheres nas lideranças, pagá-las da mesma maneira que pagam homens e valorizar as iniciativas e ideias dessas mulheres são apenas ações básicas que essas empresas devem tomar.

Ainda há muito a ser feito e esse “muito” não é trabalho de uma mulher só.

Se você, não importa o que faça, não consegue se sentir capaz e capacitada, procure apoio. Compartilhe esse sentimento com pessoas de confiança. Busque ajuda, inclusive profissional.

O importante é não deixar esse sentimento dominar e paralisar você, combinado?

E, por fim…

Apenas um adendo antes de eu fechar o artigo e você seguir com seus trabalhos por aí.

Meu intuito agora não é soar motivacional. Sei que estamos passando por tempos delicados, cada uma à sua maneira, e odiaria ser mais uma a ditar a produtividade a todo custo.

Porém, caso ache justo, vale a pena tirar um tempinho para entender quais peças estão faltando para que você se sinta mais capacitada. 

Pode ser que um curso ajude. Ou terapia. Ou uma mentoria. Ou algo que listei aqui no artigo. É você que vai adequar os insights e gerar ideias para a sua realidade.

Mas, antes de qualquer coisa, entenda que seu processo de capacitação deve estar orientado a você e aos seus objetivos. Trabalhe para ser uma profissional capacitada para você mesma.

Até porque, se você não fizer isso, ninguém mais vai fazer. Simples assim. 


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