Mulher, por que eu acredito na autenticidade da sua marca – e por que você deveria acreditar também

De acordo com o Global Entrepreneurship Report de 2019, o Brasil é o país com a maior porcentagem de mulheres que tocam negócios sozinhas. Atualmente, 83% das empreendedoras brasileiras agem de maneira solo. 

Seja por oportunidade ou por necessidade, todas essas mulheres precisam se preocupar com algumas coisas em comum. Encontrar os compradores certos, firmar parcerias e manter relacionamentos com consumidores são só algumas dessas preocupações.

No meio de tudo isso, existe algo que valoriza tudo o que essas mulheres criam: a marca.

Tenho discutido bastante sobre isso com algumas amigas próximas que, como eu, estão se aventurando e trabalhando em suas marcas pessoais. 

Uma das nossas maiores dúvidas é entender se devemos vincular nossa imagem pessoal – e, consequentemente, nossa autenticidade – aos nossos negócios. 

Acredite, isso já nos rendeu longas reuniões – tanto remotas quanto nas mesinhas do bar. Mas, antes de eu te contar a qual conclusão, vou propor uma reflexão (bem necessária) para que ele faça sentido.

Você protagoniza o seu negócio?

É óbvio que qualquer pessoa que queira empreender hoje em dia precisa mostrar seu diferencial

Construir uma marca e se posicionar no mercado são duas ações que, além de expressar esse diferencial, geram percepção de valor e marcam a vida dos consumidores. Como consequência, cada marca, seja ela empresarial ou pessoal, deve estar atenta a como se colocar no mercado para atrair as pessoas certas.

Porém, esse posicionamento não deve ser feito de maneira exclusivamente mercadológica. Sabe por quê? 

Porque o foco das marcas são pessoas: pessoas que buscam identificação e conexão.

Isso implica que você, mulher empreendedora, deve prestar atenção aos valores que vão te aproximar dessas pessoas para construir relacionamentos valiosos entre elas e sua marca. 

E é aqui que as coisas ficam interessantes. 

Não é viável construir marcas que carregam características que não correspondem aos seus próprios valores. Na hora de construir a sua marca e a sua mensagem, você deve valorizar sua história porque é ela que honra o que você faz e o que te conecta a outras pessoas.

Essa pode ser uma tarefa particularmente difícil quando olhamos para a sociedade e vemos a quantidade alarmante de tabus acerca do comportamento de mulheres independentes que têm criado novos posicionamentos mercado afora.

Atualmente, um dos maiores desafios da mulher empreendedora é o sexismo. Nesse cenário, se você levantar a sua voz e expressar suas opiniões e valores, certamente será julgada por esse sexismo – que prefere que você fique quietinha, na sua, sem influenciar ninguém, e que te julga menos competente que um homem, por exemplo. 

Mas não é por que os outros esperam determinado posicionamento da sua parte que você vai jogar sua autenticidade pra cima, certo? 

Afinal, quem protagoniza o seu negócio? Sua narrativa ou a de outra pessoa?

Mas, Vitória, eu tenho um pouquinho de medo de mostrar quem sou… 

E eu simpatizo com seu receio, de verdade! 

Embora representemos uma força inegável nos negócios, nós, mulheres, ainda questionamos nosso próprio potencial continuamente, mesmo quando temos um negócio que faz sucesso e que tem grande potencial de crescimento.

Achamos que não vamos dar conta e que não estudamos o suficiente. Temos medo de mostrar quem somos porque sabemos que julgamentos virão de todas as direções.

Em meio a tantos rótulos e pressões sociais, ter um posicionamento autêntico pode ser difícil

Inclusive, não acho que seja possível manter a autenticidade do seu posicionamento sem aceitar que algumas pessoas irão discordar de você. E não tem problema nenhum nisso. 

Outras pessoas, aquelas que vão se conectar com sua história e valores, vão te fazer companhia e apoiar seu posicionamento. É nessas pessoas que você tem que focar sua energia, porque nelas mora a oportunidade de relacionamentos verdadeiros que vão agregar às duas partes.


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Vamos supor que um dos seus valores é o respeito e a valorização ao trabalho de todas as mulheres (aposto que é). Se um cliente te desmerece, dando a entender que não pagaria seu preço porque ele acredita que um homem faria melhor o trabalho, o que você faz? 

Aceita numa boa – e continua recebendo menos pelo seu trabalho – ou recusa esse cliente e investe tempo criando relacionamento com outros, que entendem e respeitam seus valores?

Sim, você pode me dizer que não é o respeito aos seus valores que vai pagar suas contas no final do mês, mas você não merece clientes tóxicos que te desvalorizam. 

Você merece crescer ao lado de parceiros que te engrandeçam e que respeitem sua mensagem e a pessoa que você é.

Autenticidade é estratégia

Para finalizar esse artigo, quero dizer que se posicionar a favor do que você acredita é um ato libertário

Quando é você quem manda no seu negócio, tem a chance de ser livre para ser você mesma. Quando você é a principal responsável pelos seus resultados, não precisa se preocupar se ter tatuagens, falar palavrão ou ouvir funk anulam seus resultados – porque, olha só, não anulam!

Quis escrever esse artigo porque eu mesma já me perguntei se minha imagem pessoal afetaria negativamente minha marca. Já fiquei em dúvida se postava stories falando palavrão, bebendo cerveja e criticando presidentes e líderes mundiais por posturas das quais discordo.

Mas, quer saber? São essas as coisas que me aproximam de mulheres que pensam como eu

São essas as coisas que me representam e me tornam parte de uma comunidade, de um grupo de mulheres que apoiam umas às outras e lutam a favor de uma sociedade menos injusta. É com essas mulheres que quero estar.

Quando vemos que ter um posicionamento autêntico é estratégico e não prejudicial, nos livramos dos medos que nos impedem de contar e valorizar nossa história.

Por isso, use sua autenticidade a seu favor. Fale sobre sua experiência e sobre o que te torna diferente de todas as outras pessoas que estão aí, vendendo serviços e produtos semelhantes aos seus. 

Seu diferencial não é só mais um termo da moda. Ele é necessário e precisa ser verdadeiro. Precisa vir de dentro, de tudo o que você viveu, sacrificou, estudou e investiu para estar aqui, empreendendo. 

Você tem o potencial de projetar uma marca pessoal única porque você é única. 

Lembra disso, mulher! 🙂


Espero que o artigo da semana tenha te inspirado a colocar mais de quem você é naquilo que você faz. 

Continua a discussão comigo nos comentários? Vou adorar saber seu ponto de vista!

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