Como “chutei o balde” aos 23 anos e deixei a CLT para trás

Como você deve ter adivinhado pelo título deste artigo, pedi as contas. A partir do dia 02 de março, não tenho mais carteira assinada.

Depois de 3 anos em uma empresa que me ensinou muitas coisas, chegar à conclusão de que aquele não era meu lugar doeu. Afinal, investimos tempo e dedicação no que fazemos, certo? Sair de um emprego significa deixar de acompanhar a maioria dos fatores que guiaram nossa rotina por um bom tempo.

Ainda assim, estaria mentindo se dissesse que foi difícil aceitar que deveria pedir demissão. Na verdade, minha cabeça já estava em outro lugar e eu já tinha outros planos quando me decidi. 

Por isso, vou te contar como “chutei o balde” (entre aspas mesmo) e deixei a CLT para trás.

Senta que lá vem história…

Bom, pra contar tudo o que te prometi, vou ter que falar um pouquinho de como minha relação com o trabalho começou.

Como muitas pessoas que conheço, comecei minha carreira estagiando. Minha função era prospectar leads que correspondessem ao perfil de cliente que a empresa buscava. No meu primeiro dia de estágio, eu não sabia absolutamente nada sobre prospecção, vendas e negócios. 

Três anos e cinco meses depois, o cenário tinha mudado. Eu tinha sido efetivada e fui a maior responsável por fundar uma nova área dentro da empresa. A área – cujo nome da moda hoje em dia é Customer Success (CS) – era de minha total responsabilidade.

Para mantê-la funcionando, montei uma série de processos. Fiz mais de oitenta conversas de feedback com clientes, entendi seus problemas e escalei insights preciosos para a gestão das contas. Ajudei a aprimorar o atendimento e implantei métricas de satisfação que mediam a felicidade desses clientes.

Tinha meu espaço. Me tornei a “Vitória do CS” – com direito a trocadilhos e tudo o mais (mas tudo bem, estou acostumada).

Ainda assim, naquela posição confortável, em que as pessoas gostavam do meu trabalho e confiavam em mim, eu sabia que aquele não era meu lugar. Sabia que não estava sendo fiel a mim mesma fazendo um trabalho que pouco tinha a ver com meus ideais.

Você já deve ter ouvido dizer que devemos trabalhar com o que amamos. Que a paixão pelo trabalho é um grande motivador para que levantemos todas as manhãs e façamos o que fazemos. Que o trabalho dá mais sentido às nossas rotinas.

Pois bem: eu não via mais sentido na minha. 

Encarava três horas de transporte intermunicipal todos os dias. Mesmo que estivesse liberada para fazer home office alguns dias da semana, minha função exigia o contato olho no olho e eu tinha que me deslocar. Além disso, não queria trabalhar em um escritório, nem ser gerida por outra pessoa. 

Queria fazer algo alinhado ao que eu mais gostava: escrever. Queria usar a palavra para encorajar e iluminar pessoas. 

Basicamente, queria passar adiante o tipo de informação que teria me ajudado muito quando estava infeliz profissionalmente. Queria empoderar pessoas para que elas não tivessem que viver, continuamente, uma história chata e frustrante.

E decidi que faria isso.

Não se iluda: pra chutar o balde, tive que me preparar

Assim que descobri que iria passar por uma transição de carreira, procurei minha gestora. Não vou mentir, tive sorte porque ela me entendeu e me apoiou, mesmo que isso significasse mais um problema para ela resolver.

Deixei minhas intenções mais claras possíveis desde o início. Avisei a empresa com antecedência e ajudei na contratação da pessoa que hoje realiza todas as tarefas que eram minhas. Sei que nem todas as pessoas podem ser tão transparentes com sua gestão e com a empresa em que trabalham mas, de novo, tive sorte.

Porém, sorte não foi tudo. Pra chutar o balde e tomar essa atitude radical, tive que me preparar e ter um plano de ação. Foram oito meses de planejamento, estudos e economias. Não teve milagre.

Nesses oito meses, fiz cursos para entender mais sobre marketing de conteúdo, SEO e storytelling. Também peguei alguns jobs paralelos ao meu emprego fixo. Dormi umas 5 horas por dia e recusei vários convites pra barzinhos (que eu amo!) e baladas. Fiquei cansada pra caramba nessa época.

Não quero romantizar meu cansaço, mas não encontrei maneira de me preparar para as mudanças da vida sem passar por ele.

Também tive que me preparar financeiramente. Criei uma reserva financeira que me permitisse, pelo menos, seis meses “de boa” e que me desse segurança para sustentar meu estilo de vida nesse período.

Outra coisa de que precisei bastante nesse período foi autoconfiança. 

Várias pessoas torceram o nariz por eu estar deixando um emprego estável para trás, como se minha segurança ali fosse garantida. Não era. Coisas ruins acontecem. A qualquer momento, eu poderia ser demitida. Ninguém é insubstituível.

Em segundo lugar, precisei de autoconfiança para me conhecer melhor e planejar o que faria dali pra frente. Lembra que eu disse que minha cabeça já estava em outro lugar quando pedi demissão? É disso que estou falando.

E agora, Vitória?

A partir de hoje, vou focar 100% na carreira freelancer como redatora e vou continuar produzindo conteúdo aqui no la luz de vitória. E não vou fazer isso do interior do estado de São Paulo, já que decidi unir o trabalho autônomo a viagens ao redor do mundo.

Isso significa que eu, garota de cidade pequena, que sempre me senti sufocada pelas limitações geográficas ao meu redor, vou virar minha vida de cabeça pra baixo. Em abril, vou para a Coreia do Sul, país cuja língua oficial eu não falo, cuja maior parte das comidas eu desconheço e em que não tenho amigos. 

Chutei o balde? Um pouquinho. 

Mulher independente chutando o balde com raiva.

Esse vai ser apenas o primeiro passo para que eu encoraje outras pessoas a sair de empregos que não fazem sentido e viver realidades melhores. Porém, daqui em diante, quero me comunicar mais com um grupo específico, um grupo ao qual eu pertenço e que mais tem me encorajado a chutar vários baldes vida afora. 

Um grupo que merece perder o receio, deixar extravasar, enfrentar e dizer o que está entalado na garganta.

Sinto muito, homens, mas… 

Minha missão é encorajar mulheres a viverem suas melhores histórias ao redor do mundo. 

E como vou fazer isso? Te levando pra viajar comigo – de maneira figurada – e trazendo reflexões sobre a rotina de uma mulher que, sozinha, roda o mundo e trabalha ao mesmo tempo. Você vai poder aprender muito com os meus acertos e principalmente com os meus erros. 

Se você for mulher, entra e fica à vontade, a casa tá arrumada especialmente pra você. Vou trazer assuntos e reflexões que só nós duas, enquanto mulheres, vivemos na pele quando nos propomos a arriscar e viver novas experiências longe de casa. 

Se você for homem, fica à vontade também. Vai ser uma ótima oportunidade pra você entender a ótica de uma pessoa que vive uma realidade diferente da sua. Trocas são sempre necessárias e minha intenção é manter diálogos abertos e saudáveis. 

Por enquanto, é isso!

Estou preparando uma série de coisas novas por aqui, que em breve vão sair do papel e ajudar mulheres a “chutar o balde” à sua maneira e explorar o mundo – afinal, ele tá aí pra isso. 

Vou ficar muito feliz se você me acompanhar! 🙂


Foto por Tim Gouw

6 comentários em “Como “chutei o balde” aos 23 anos e deixei a CLT para trás

  1. No dia 18 de Fevereiro tive essa mesma sensação.
    Dia 21 de Janeiro fui desligada de uma empresa na qual aprendi muita coisa, pude me desenvolver, treinar pessoas, mas o rumo que foi tomando não compactuavam com meus valores. Na mesma semana fui abordada por outra empresa – mesmo sem nem estar procurando nada – aceitei no automático e ali me vi não me respeitando de novo.

    “..chegar à conclusão de que aquele não era meu lugar doeu…” – obrigada por me traduzir nesse trecho-.
    Ao mesmo tempo que queria continuar, vi que não fazia sentido pois o contexto da empresa tendia a se repetir. Antes que eu caísse nesse ciclo vicioso, sai.

    Ontem, voltei de uma imersão de 10 dias em um templo budista, sem qualquer tipo de contato com o “mundo externo aqui” (fui sem nem seguir a religião, mas totalmente aberta justamente pela experiência de vivenciar a troca, conforme citado no trecho sobre a Coreia).
    E bingo. Pude conhecer pessoas do Brasil todo, desde psicanalistas/neuropsicólogos até profissionais de ThetaHealing.

    Voltei com tanta coisa nova que nem sei por onde começar o roteiro de conteúdos para compartilhar.

    Daqui pra frente? Não faço nem ideia de como vai ser. Mas, um dia de cada vez que tudo se ajeita. Preferi fazer isso aos 25 do que chegar aos 50 para me dar conta que vivi no automático sem me realizar.

    Principal ensinamento desses últimos dias foi:
    “A mudança precisa vir de dentro, pois quando vibramos na mesma frequência daquilo que a gente quer, automaticamente aquilo vem até você, sem esforço algum”

    Tenho certeza que vai dar tudo certo nessa sua nova etapa.
    Obrigada por me inspirar e por se escolher aos 23 anos.

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    1. Nathany, muito obrigada por compartilhar! No fundo, tudo o que queremos é sermos fiéis aos nossos valores e trabalharmos com propósitos que fazem sentido pra nós. De nada adianta seguirmos os sonhos de outras pessoas quando eles não fazem sentido e nem combinam com a mudança que queremos. Torço muito para que o que vem por aí seja bom pra nós duas! Obrigada por se escolher também ❤

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