Sim, você tem uma história para contar – e precisa acreditar nisso

mulher contando história

Estou lendo “Storytelling”, de Carmine Gallo. O livro fala sobre grandes contadores de história do nosso tempo, como Oprah e Papa Francisco, e traz reflexões e ensinamentos sobre as ferramentas usadas por esses storytellers. 

No final de cada capítulo, fica fácil entender como essas pessoas usaram sua história de vida para emocionar, educar e influenciar outras ao redor do mundo.

Até agora, a maior lição que tirei do livro foi: você tem uma história para contar e precisa acreditar nisso.

Já ouvi muitas pessoas dizendo que não têm histórias para contar. Discordo de todas elas. 

Primeiro porque, enquanto parte da humanidade, todos temos uma história mais ou menos em comum. Somos todos homo sapiens e habitamos o mesmo planeta, ainda que culturas nos unam e nos separem na mesma medida.

Segundo porque, bem, você provavelmente não é a mesma pessoa de dez anos atrás, certo? Coisas aconteceram na sua vida de lá para cá, você cresceu e se tornou quem é hoje. Essas coisas, que moldaram várias facetas da sua realidade, são histórias.

Acredite que você tem uma história para compartilhar

Como quase tudo na vida, sua história ganha significado a partir da sua interpretação e do seu ponto de vista.

Grandes storytellers, por exemplo, anseiam por compartilhar episódios que mudaram suas vidas e que podem inspirar, educar e motivar outras pessoas.

Já pessoas que dizem não ter nada para contar limitam a si mesmas. É uma lógica simples. 

Se você não acredita que consegue correr dois quilômetros todas as manhãs, provavelmente não vai correr dois quilômetros todas as manhãs. Se acredita que nunca será capaz de escrever um livro, provavelmente nunca escreverá um livro. Mas, se acredita, as coisas já mudam um pouco.

É por isso que o primeiro passo para ser capaz de contar uma história é parar de se limitar e acreditar que você pode.

Sei que falar é fácil, mas acreditar ser capaz é um exercício constante. Uma forma de praticar esse exercício é eliminar palavras negativas da sua rotina. Pare imediatamente de dizer coisas como:

  • Não tenho talento nenhum. Nunca vou conseguir compartilhar alguma coisa.
  • Minha história é sem graça. Ninguém vai querer ouvir o que tenho pra dizer.

Talento não representa nem 100% da equação. Pessoas do mundo inteiro precisam pensar em como e quais ferramentas vão funcionar para que o talento floresça e crie coisas incríveis. Foco e autoconfiança, por exemplo, são coisas que não dependem de talento.

E se você acredita que absolutamente ninguém vai querer ouvir o que você tem pra dizer, faz uma conta comigo rapidinho. 

O mundo tem 7 bilhões de pessoas – 210 milhões apenas no Brasil. Considerando que sua história será contada em português, sua mensagem pode chegar a brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos e cidadãos de mais cinco países ao redor do globo. Meio improvável que ninguém nesse mundo vá se identificar ou gostar da sua história, né?

Então, busque não se limitar. Ao invés disso, acredite que você tem algo pra compartilhar que – olha que legal! – mais ninguém do mundo vai poder contar como você.

Se conecte com a sua experiência

E é com essa palavra que você tem que se conectar quando pensar em contar sua história: experiência.

Lembra que eu disse que só você pode contar sua história, do seu jeito? Isso acontece porque só você vivenciou, com seu ponto de vista, tudo o que aconteceu, mesmo que essas coisas tenham ocorrido com outras pessoas também.

Por isso, antes de você sair contando histórias por aí, algumas perguntas são dignas de reflexão:

  • Quais são suas histórias de vida que moldaram quem você é?
  • O que te motiva a fazer o que faz e por quê?
  • Qual foi um conflito particularmente difícil na sua vida que você foi capaz de superar? Como fez isso?

As pessoas AMAM se deparar com conflitos que foram contornados e com dificuldades que viraram vitórias. Sabe o que mais elas amam? Que essas experiências venham de histórias pessoais. De coisas que você viveu e que podem ajudar outras pessoas. 


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O fato de que você viveu complicações e dificuldades e superou-os é, nada mais, nada menos, do que inspiração para outras pessoas que podem se conectar com sua história de vida.

Assim, por mais difícil que seja, se conecte com a sua experiência e trate dos seus conflitos com carinho. Lembre-se de que um desafio superficial dificilmente irá convencer ou motivar alguém

Faça mesmo se tiver medo

Vamos supor que você já tenha tentado contar alguma coisa antes e que a experiência tenha sido péssima. Que apenas gaguejos tenham deixado sua boca. Que seus dedos mal conseguiram digitar dois parágrafos inteiros e que você tenha se frustrado tanto que nem quer tentar de novo.

Compreensível. Afinal, seu cérebro está programado para evitar situações desconfortáveis – como essa postagem incrível do @tira.do.papel ilustra. Mas, se você não der a cara a tapa, vai continuar fazendo o que sempre fez.

Você vai ter que começar de um jeito ou de outro. Vai escrever o mesmo parágrafo inúmeras vezes. Treinar um discurso por horas e horas. Insistir nos mesmos erros até descobrir que não funcionam. É bem provável que você quebre a cara e comece tudo de novo.

Por isso, quero fazer um pedido.

Quando decidir abrir seu coração e expor sua história, você vai sentir medo.

Vai sentir medo de se expressar e do que as pessoas vão pensar e falar. Pode ser que você sinta medo de ter sucesso. Ou que tenha sucesso – tanto que a pressão por mantê-lo vai te dar calafrios.


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É provável, também, que você não saiba como contar sua história às vezes. E vou te dizer que não tem receita mágica. Você pode buscar referências, ler mais, trocar ideias – mas, lá no seu íntimo, é você quem vai dar significado ao que viveu e como passar isso para outras pessoas. Tudo isso é normal. Senti, e de vez em quando ainda sinto, medo.

Ainda assim, não deixe o medo te impedir de começar a compartilhar sua narrativa. Não seja uma pedra no seu próprio caminho. Faça com medo mesmo. 

Trabalho com a mentalidade de que é melhor fazer com medo do que imaginar como teria sido se eu tivesse me dado a chance de contar quem é Vitória e por que ela escreve.

Faz isso também.

Só vai.


Espero ter te convencido de que você, não importa de que área seja, tem uma história pra contar! Me fala nos comentários se consegui? 🙂

Foto por Shirish Suwal.

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