Bloqueio criativo: uma reflexão sobre (a falta de) criatividade na produção de conteúdo

Estou cantando uma música. Ela diz o seguinte: tanta volta pra nenhuma resposta. Tanta volta pra nenhuma resposta. Tanta volta pra nenhuma resposta (e continua repetindo essa frase mais algumas vezes).

Sabe quando você se identifica com uma música? Quando parece que ela foi feita pra você? É isso que está acontecendo comigo enquanto escrevo esse texto.

(A música, inclusive, é da Luedji Luna e se chama Banho de Folhas. Recomendo!)

Passei por um bloqueio criativo terrível nos últimos dias. Nem sei quantas vezes comecei um texto e apaguei as palavras letra por letra, bufando alto. Isso já aconteceu com você? Se eu tivesse que apostar, diria que sim.

Toda pessoa que depende da criatividade para trabalhar passa por isso, mais cedo ou mais tarde. Afinal, ser criativo nem sempre é fácil. Não é à toa que existem tantos artigos por aqui que nos dão dicas para exercitar a criatividade e ter melhores ideias. E, acredite, eu tentei.

Estive com a cabeça cheia de ideias. Anotei todas elas. Li – livros, artigos, notícias. Vasculhei a planilha no Excel em que guardo minhas ideias, mas mesmo assim não encontrei inspiração. Parecia que a criatividade estava fugindo de mim. Tanta volta pra nenhuma resposta. 

Notei, então, que estava me forçando a produzir conteúdo mesmo quando claramente não estava bem. Estava improdutiva – e ai, que medo me dá essa palavra. Não posso me dar ao luxo de não produzir conteúdo! Como é que vou provar meu valor? Como vou manter a cadência que prometi a mim mesma? 

Assim que comecei a me fazer essas perguntas, me lembrei do que a Andreza Costa comentou em um dos meus artigos, que postei aqui no LinkedIn. Como ela já me deu licença, copiei o comentário dela e colei aqui:

“Há um equilíbrio que precisamos encontrar (como escritoras com presença nas redes) entre o valor do conteúdo, que gera conexões, e essa certa dependência que acontece entre nós e os algoritmos, que é a de “ter que” produzir constantemente. Isso sutilmente vai criando um conflito entre a humanização dos conteúdos e robotização de quem os cria.”

Complicado, né?

Quando nos propomos a trabalhar com produção de conteúdo, queremos despertar emoções com nossas palavras. Queremos contar histórias transformadoras que cheguem ao máximo de pessoas possíveis. Então, nos viramos para alguns fatores que nos ajudam a fazer isso: SEO, frequência de posts, networking. Porém, cumprir 100% com esses fatores não é fácil.

Produzir conteúdo exige estudo, conhecimento, revisão e consistência. E também exige humanização, como tenho dito por aqui. Mas o que acontece quando a pessoa que produz conteúdo não está nos seus melhores dias para produzir? O que acontece quando a criatividade nos escapa? Como lidar com o bloqueio criativo?

E, a pergunta que me fiz mil vezes nos últimos dias: será que vale a pena escrever um conteúdo robotizado apenas para manter a cadência?


Relacionado: Como produzir conteúdo humanizado e gerar conexões de valor.


Cadência é importante. Sei que é. Mas eu não conseguiria produzir um textinho meia-boca e postá-lo só pra riscar mais uma tarefa da minha lista. 

Quando decido compartilhar minhas ideias, quero que sejam transparentes e honestas. Por isso, acredito ser muito relevante levantarmos a bandeira de que nós, produtores de conteúdo, nem sempre temos a criatividade e as ideias certas para gerar os textos que queremos. 

E não é por falta de querer. Lemos dicas sobre como exercitar a criatividade. Buscamos inspiração em filmes e livros. Carregamos um bloquinho de notas na mochila para não perder uma ideia sequer. E, mesmo assim, pode não ser o suficiente. Faz parte do jogo. 

Não precisamos nos sentir culpados quando, vez ou outra, não correspondermos às expectativas da produção de conteúdo altamente relevante e consistente.

Somos seres humanos, passíveis de estresse, de preocupações e improdutividades. Qual é o ponto de buscarmos produzir tanto conteúdo humanizado se não somos humanos com nós mesmos?

Vou deixar a reflexão no ar.

No final das contas, tive o que postar essa semana. Porém, talvez eu continue me culpando na semana que vem, caso o bloqueio criativo me persiga mais uma vez e eu não consiga pensar em nada relevante pra compartilhar.

Talvez eu continue cantando…

Foi em uma quarta-feira
Saí pra te procurar
Andei a cidade inteira
Mas, cadê você?
Cadê você?
A cidade é grande
As pessoas muitas
E eu por aí
Sem te encontrar


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Foto por Steve Johnson

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