Breve reflexão sobre as incertezas do futuro

Faz doze anos que escrevo. Como consequência, tenho vários cadernos escritos da primeira à última página, que guardo junto aos livros físicos que restam no meu quarto.

Ontem, me rendendo à vibe de reflexões de final de ano, dei uma lida nesses cadernos. Folheei-os devagar, me deparando com algumas frases geniais – outras, nem tanto -, rabiscos urgentes, ideias mirabolantes e desabafos que datam de 2012, 2013, 2014 e por aí vai…

Como a ouvinte fiel que é, a escrita me permitiu choramingar muito sobre a vida. Quando sentia que não podia reclamar a ninguém ou que já havia reclamado a gente o suficiente, escrevia. Quando sentia raiva, medo ou receio, escrevia. Quando me sentia desesperançosa e ansiosa, escrevia.

As coisas mudaram, de lá para cá. Não que a escrita não seja mais meu porto seguro, muito pelo contrário. Porém, fiquei estupidamente feliz em constatar que, hoje em dia, uso a palavra para me conectar com outras pessoas – tanto que faz um mês que venho publicando artigos aqui no LinkedIn. Além disso, a escrita é a principal ferramenta que me aproxima da versão de mim que me aguarda logo ali, no futuro.

Foi um pouco cômico ler minha descrença no caminho que estou trilhando agora. Acreditava que planos como os que tenho não eram possíveis. Me sabotava e descartava todas as possibilidades de estar onde estou e para onde irei.

Quando identifiquei esse sentimento de descrença nos meus textos, abri um sorriso bem grande. Vi que aquelas negações todas não faziam muito sentido.

Ainda tenho muitas dúvidas e medos. As dúvidas me impulsionam pela curiosidade; os medos, pela intensidade. O medo de viver uma vida monótona é maior do que o medo de me libertar e explorar o mundo. O medo de meus planos darem errado é menor do que a curiosidade de saber o que irá acontecer se derem certo.

(Se derem errado, oras… Experiência é inegociável e eu, ao menos, terei mais algumas histórias para contar.)

Escrevo esse texto para clarificar à minha linha do tempo que hoje penso diferente, ainda que não esteja completamente pronta. Aliás, se tivesse aguardado a hora certa de estar pronta para viver, acho que ainda estaria choramingando aos meus cadernos.

Se há algo que eu gostaria de dizer a você que agora me lê, é exatamente isso: não espere estar pronto.

Se existe algo que você quer muito fazer, faça. Aposte as fichas e explore as possibilidades. Sim, poderemos nos sentir vulneráveis e fracos, até mesmo incompetentes. Novas dúvidas procederão as velhas. Vamos sentir medo – da vida e do que os outros poderão dizer. Vamos nos cobrar e sentir que estamos fazendo coisas erradas – mas não é muito melhor tentar do que admitir que não dará certo?

Estou tentando. As passagens para o desconhecido estão, literalmente, compradas. Se vai dar certo? Espero que sim, assim como espero que o resultado seja apenas uma consequência de todos os passos pequenos que dou, mesmo sem estar pronta.

Espero, também, que o próximo ano seja o ano em que você e eu façamos o que temos vontade. Que saibamos aproveitar as oportunidades, deixando a sabotagem de lado e acreditando na versão de nós que nos levará aonde queremos ir. 


Foto por Kristopher Roller.

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