Você tem medo de fazer a mesma coisa de sempre?

A grande maioria de nós vive com a sensação de que o segredo da vida já foi desvendado. Dia após dia, as tarefas se repetem. Acordar, ir ao trabalho, botar a mão na massa, entregar resultados hoje, na próxima semana, no próximo mês…

Nesse cenário, acabamos presos em um loop que não nos promete muita coisa além da sua repetição.

Os dias passam e fazemos mais do mesmo.

Lemos nos jornais mais uma notícia inescrupulosa de um novo direito que perdemos, vemos casos de violência endêmica noticiados, lidamos com a busca pelo sucesso, o lugar que ocupamos na sociedade, a produtividade esperada de nós, expectativas a corresponder, contas e impostos a pagar…

Alguns dizem que isso é viver dentro da zona de conforto.

Além disso, há a inércia que nasce do fato de termos tanto a fazer que nossa atuação fora da rotina se torna limitada. Já falei sobre isso no primeiro texto publicado no meu blog, que discorre sobre a conciliação entre informação e sanidade mental.

Mas como evitar mais do mesmo? 

Sei que escrevo para quebrar o previsível. É a escrita que pausa meu piloto automático e exige de mim reflexão e delicadeza na hora de posicionar informações, por mais raivosa e livre que ela possa ser. 

Aprecio a escrita em todas as suas formas porque ela me faz descobrir respostas que, no início de um texto, eu desconhecia. Além disso, a escrita me permite expressar meu ponto de vista. 

Só eu, no mundo todo, tive a chance de tirar minhas próprias conclusões das experiências que vivi. Se essa ‘liberdade’ não é reconfortante, não sei o que é.

É a sua habilidade de interpretação que molda quem você é, o que faz, como age, no que acredita. Ela tem um poder transformador de colocar o seu ponto de vista em tudo o que você faz.

E o mundo precisa disso. 

O mundo precisa de multiplicidade de vozes, de relativismos e de compreensões mais apuradas para que não fiquemos repetindo a história de ontem hoje e a de hoje amanhã. 

Esse artigo também poderia se chamar “sejamos inspirados pelo medo de fazer a mesma coisa de sempre” porque espero que possamos parar e entender o que está errado ao nosso redor. Para isso, precisamos abrir nossos leques de diálogo, entrar em contato com pontos de vista distintos, aprender e compartilhar.

Precisamos falar sobre como consumimos, como amamos, como morremos e como trabalhamos. Quem sabe, assim, possamos entender onde nos encaixamos e o que podemos fazer de novo.

E é por isso que precisamos nos atentar aos contextos e pontos de vista de cada um.

Mas é preciso atenção para não restringir ou apequenar esses contextos. Diversificar é necessário para resistir ao loop cultural do sistema. Vou dar um exemplo. 

Imagine como deve ser coexistir em uma sociedade branca dominante, patriarcal em seus costumes e repleta de obstáculos para aqueles fora de seus padrões. Como ocupar os espaços criados por esse sistema? Como viver em um sistema “novo” – vide a imagem abaixo – que tem a mesma cara do antigo?

Uma vez pessoas inspiradas pelo medo de fazer a mesma coisa de sempre, já temos desvendado o primeiro passo: saber o que não se deve fazer. O que não se deve perpetuar.

Depois desse exercício, acredito que vamos nos dar conta de que não basta ocuparmos o espaço já construído e fingir que estamos evoluindo, ainda que a lentos passos.

Alguns de nós perceberão, antes de outros, que não é suficiente pedir licença, pois ela não nos será dada. O jeito é esquecer as regras escritas e construir algo do zero. 

O resto é consequência. E, olhando por aí, já é possível ver uma galera sendo essa consequência. A galera que, morrendo de medo da inércia e da cara do passado, decidiu olhar para frente e construir, em cima do seu ponto de vista, algo realmente novo. 

E precisamos do novo mais do que nunca.


Foto por Alice Donovan Rouse.

Um comentário em “Você tem medo de fazer a mesma coisa de sempre?

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